21/12/2025, 20h | O Auto do Nascimento do Menino mamulengo: a beleza simples que tocou corações no Teatro Marie Padille
- teatromariepadille
- 22 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jan.
21 de dezembro de 2025

O 10º dia da Gala Inaugural do Teatro Marie Padille foi marcado por poesia popular, riso solto e um encantamento raro. O palco se encheu de cores, música e significado com O Auto do Nascimento do Menino Mamulengo, apresentado por Chico Simões, um dos maiores mestres do Mamulengo no Brasil, diretamente de Olhos D'Água, nosso querido distrito, de onde surge Alexânia-GO.
A apresentação revelou, com simplicidade e profunda beleza, a riqueza artística do auto do nascimento, recriado em forma de alegoria contemporânea do menino Jesus. Longe de excessos, o espetáculo apostou na força da cantiga, no humor inteligente, no improviso da interação e na delicadeza do gesto gracioso, confirmando que a arte popular consegue provocar emoção intensa, quando nasce da verdade.
O ponto alto da noite foi, sem dúvida, a interação com as crianças, que participaram ativamente do espetáculo. Elas responderam, opinaram, riram, se reconheceram nas cenas e ajudaram a construir a narrativa ao vivo. O teatro deixou de ser apenas palco para se tornar espaço de encontro, escuta e protagonismo infantil. As crianças roubaram a cena e ganharam o coração de todos.
Com sensibilidade e inteligência, o espetáculo apresentou uma educação voltada à diversidade desde cedo. Entre os reis magos, surgiram representações plurais, uma mulher, um homem africano e um indígena, ampliando referências e promovendo a identificação mais ampla. A narrativa acolheu, com respeito, diferentes expressões religiosas: do batismo católico às matrizes africanas, passando por referências evangélicas, sempre como gesto de inclusão e diálogo.
A montagem também dialogou com a realidade local. Ao situar o nascimento no hospital de Alexânia, o espetáculo provocou respostas imediatas das crianças e apresentou, de forma lúdica, os equipamentos públicos da cidade. O nascimento saiu do estábulo e foi para o hospital; a manjedoura virou rede; o pai apareceu cuidando, trocando fralda, assumindo o afeto. Até o transporte ganhou identidade regional: no lugar do camelo, o percurso aconteceu no lombo de um boi, referência direta ao Centro-Oeste.
O ensinamento mais poderoso veio em forma de poesia:
“Vou vencer a cobra com estratégia e uma flor.”
A cena deixou uma mensagem clara às crianças: a violência não se combate com mais violência, mas com inteligência, sabedoria e cuidado.
Foi uma brincadeira viva, atual, educativa e profundamente emocionante. Encantou os adultos e arrebatou, sobretudo, as crianças, que lotaram a plateia com olhos brilhando, risadas soltas e aplausos verdadeiros.
Chico Simões, que constrói sua Vila Mamulengo em Olhos D’Água, honrou o palco do Teatro Marie Padille com uma arte que atravessa gerações e reafirma o valor da cultura popular brasileira.
Casa cheia. Crianças protagonistas. Cultura viva em movimento.
O Teatro Marie Padille seguiu, naquela noite, cumprindo sua vocação: ser território de memória, infância, tradição e futuro. Viva o Mamulengo. Viva a Cultura Popular.




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